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O Certificado Energético em Portugal: Requisitos, Custos e Implicações

Em Portugal, o Certificado Energético é obrigatório para transações de venda ou arrendamento de imóveis, com multas associadas à sua ausência. Este documento, cuja validade é geralmente de 10 anos, exige o pagamento de taxas fixas à ADENE e honorários ao perito qualificado.

25 de junho de 2026 · 8 min de leitura · Editorial RioPorto

Certificado Energético em Portugal: Categorias, Custos e Validade

O Certificado Energético (CE) é um documento essencial no mercado imobiliário português, atestando o desempenho energético de um imóvel. A sua obrigatoriedade estende-se a todas as transações de venda ou arrendamento, com penalizações significativas para o seu incumprimento [3].

O que é o Certificado Energético?

O certificado energético classifica os imóveis numa escala de eficiência energética, de A+ (muito eficiente) a F (pouco eficiente). Este documento indica o consumo de energia para climatização, aquecimento de águas sanitárias e iluminação, fornecendo recomendações para melhorar a eficiência energética do imóvel [4]. É uma ferramenta crucial para compradores e inquilinos, permitindo-lhes estimar os custos energéticos futuros e identificar potenciais melhorias.

Existem dois modelos principais de certificados energéticos em vigor, desenhados para diferentes tipos de edifícios [6]:

  • Edifícios de Habitação: Aplica-se a todas as residências.
  • Edifícios de Comércio e Serviços: Abrange estabelecimentos comerciais e escritórios.

Para imóveis residenciais, a legislação prevê, até certo ponto, duas abordagens distintas para a avaliação [1]:

  • Certificado de Consumo (simples): Aplicável a edifícios que cumprem certos critérios, como ter cinco ou mais unidades habitacionais ou terem sido construídos após 1977.
  • Certificado de Necessidades Energéticas (mais complexo): Frequentemente exigido em imóveis mais antigos, com menos de cinco unidades habitacionais, onde se determina a necessidade energética teórica com base na estrutura do edifício, sistemas de aquecimento e isolamento existentes.

Desde 2026, as obrigações relativas aos certificados de desempenho energético foram reforçadas. A falta de informação ou dados incorretos no certificado podem resultar em multas que chegam aos 10.000 euros [1]. É fundamental assegurar a conformidade e atualização do documento.

Obrigatoriedade e Propósito

O Certificado Energético é obrigatório para a venda ou arrendamento de imóveis em Portugal [3]. A sua ausência pode resultar em coimas elevadas e atrasos em processos de compra e venda [2]. Adicionalmente, as informações relativas à classe energética do imóvel devem constar nos anúncios imobiliários, conforme o Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios [1].

Quem é Responsável pela Obtenção?

O vendedor ou senhorio é o responsável por obter o Certificado Energético [2, 3]. Trata-se de um custo inerente à transação imobiliária que deve ser considerado, à semelhança de outros documentos como a caderneta predial e certidões [2].

Custos Associados ao Certificado Energético

O custo total para a obtenção do Certificado Energético divide-se em duas componentes principais:

1. Taxa de Registo ADENE

Esta é uma taxa oficial, paga à Agência para a Energia (ADENE), no momento do registo do certificado no Portal SCE. Os valores são fixados pela Portaria n.º 138-H/2021 e variam consoante a tipologia do imóvel. A estes valores acresce o IVA à taxa em vigor [2, 4, 5].

Para habitação, os valores base são [2, 4, 5]:

  • T0 e T1: 28,00 euros
  • T2 e T3: 40,05 euros
  • T4 e T5: 55,00 euros
  • T6 ou superior: 65,00 euros

Para edifícios de comércio e serviços, os custos variam de acordo com a área útil [5]:

  • Até 250 m²: 135 euros
  • Mais de 5000 m²: 950 euros

2. Honorários do Perito Qualificado

Estes honorários correspondem ao serviço prestado pelo perito qualificado que realiza a avaliação do imóvel. Ao contrário da taxa ADENE, estes valores não são tabelados e variam em função de diversos fatores [2, 4, 5]:

  • Localização geográfica: A região onde o imóvel se situa pode influenciar os custos.
  • Complexidade do imóvel: Imóveis mais complexos ou com sistemas técnicos diversos podem ter um custo superior.
  • Área do imóvel: Um imóvel de maior área tende a implicar um trabalho mais extenso do perito.
  • Urgência do pedido: Pedidos urgentes podem ter um acréscimo no valor.

Em média, para uma habitação, o custo total, incluindo a taxa ADENE e os honorários do perito, situa-se entre 150 euros e 300 euros [2]. A comparação de orçamentos de diferentes peritos é recomendada [5].

Validade do Certificado Energético

O Certificado Energético para habitação tem, em regra, uma validade de 10 anos [3, 4]. No entanto, esta validade pode ser afetada por intervenções no imóvel. Se forem realizadas obras que alterem significativamente o desempenho energético, como a substituição integral de janelas, reforço do isolamento ou mudança dos sistemas de climatização, pode ser necessária a emissão de um novo certificado para refletir as novas características e otimizar a avaliação energética [4].

A atualização de certificados existentes, dentro da sua validade, pode ser feita sem o pagamento de uma nova taxa ADENE, embora o perito possa cobrar honorários pelo serviço [5].

Como Obter o Certificado Energético

O processo para obter o Certificado Energético é relativamente simples e rápido, geralmente concluído em 2 a 3 dias [2]. Os passos são os seguintes:

  1. Escolher um Perito Qualificado: É fundamental selecionar um perito reconhecido pela ADENE. Pode pesquisar no site da ADENE ou solicitar recomendações [2].
  2. Reunir a Documentação: O perito solicitará documentos como a caderneta predial, planta do imóvel, ficha técnica da habitação (se aplicável), e outros comprovativos de sistemas de aquecimento, refrigeração ou produção de água quente.
  3. Visita Técnica: O perito agendará uma visita ao imóvel para realizar a recolha de dados e as medições necessárias para a avaliação energética.
  4. Emissão e Registo: Após a análise dos dados, o perito emite o certificado e procede ao seu registo na plataforma da ADENE. O proprietário receberá o documento oficial.

É aconselhável iniciar o processo de obtenção do certificado antes de anunciar o imóvel para venda ou arrendamento, evitando assim atrasos e potenciais multas [2].

FAQ

1. É obrigatório ter o Certificado Energético para vender ou arrendar um imóvel em Portugal?

Sim, é legalmente obrigatório ter um Certificado Energético válido para publicitar, vender ou arrendar qualquer tipo de imóvel em Portugal. A ausência ou irregularidade pode resultar em multas significativas [1, 3].

2. Qual é a validade de um Certificado Energético?

Para imóveis de habitação, a validade de um Certificado Energético é, em geral, de 10 anos. Contudo, esta validade pode ser comprometida se forem realizadas obras que alterem substancialmente o desempenho energético do imóvel, exigindo a emissão de um novo certificado [4].

3. Quanto custa um Certificado Energético em Portugal?

O custo total divide-se na taxa de registo da ADENE (que varia de 28 euros a 65 euros para habitação, mais IVA, dependendo da tipologia) e nos honorários do perito, que não são tabelados e variam conforme o imóvel e a localização. O custo médio total para habitação situa-se entre 150 euros e 300 euros [2, 4, 5].

Fontes